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sexta-feira, 24 de março de 2017

COMÉRCIO E SIMONIA



Alguém descobriu esta falha na engrenagem e, desde então, vem se utilizando dela para tirar proveito. Mas, por hora, deixemos esta história de lado.

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    Voltando ao mundo do Limbo, vemos pessoas diariamente lutando contra as duras cargas da sorte, acompanhando o movimento do mundo sem poder exercer vontade própria.
    No meio de toda esta ilusão, sempre existiu uma força contrária ao que se manifesta no Karma. Uma força que persiste e tenta tirar a humanidade do marasmo, de acordar do seu sono. Muitos passaram pela Terra tentando abrir a mente das pessoas para algo maior. Algo que muitos chamam de Deus, outros veem como uma expansão da consciência humana adormecida. Outros ainda, veem o ser humano como uma parte de um grande Universo, que funciona em sintonia, existindo em equilíbrio para que seu funcionamento seja correto. O fato é que, desde a mais remota história sempre houve aqueles que viram algo  mais e conseguiram passar para algumas pessoas mais próximas, antes de serem deturpadas e mutiladas pelos poderes que comandam a Terra. Poderes que não deixarão de reinar, porque estão em constante alimentação. 
    Diariamente são criados mais pratos, mais apetrechos que façam a humanidade se manter em sua condição de pilha. E esta, por sua vez, adora, idolatra, sua condição servil. 

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    Isto é muito pavoroso, porque na realidade torna-se o verdadeiro “moto perpetuo”, onde as Bestas criam os meios para se alimentar, deixando-os tão prazerosos que a humanidade prefere ser apenas uma pilha a mais do que deixar sua zona de conforto para buscar algo fora, algo que está ao alcance, e, ao mesmo tempo, tão distante.
    Quando Jesus diz, “Eu estou no Pai e o Pai está em mim”, parece algo muito próximo. Mas o mesmo Jesus diz “Meu reino não é deste mundo”. Algo distante deste reino mundano que alimenta continuamente as Bestas que saem do Abismo mental criado pela própria humanidade. Então, o reino vai ficando distante. Tão distante, que nos dias de hoje crêem em extraterrestres que eram deuses e que vieram de outro planeta não sei fazer o quê aqui. Verdade ou mentira? Só o tempo dirá.
    Ao mesmo tempo em que é um reino distante, está dentro de todos nós. Esta vontade de conhecimento acompanhada da vontade de ser feliz.
    A felicidade mundial é vista como algo impossível. Isto porque são milhares de séculos inventando uma história errada. Para que o caminho, tão distante, até hoje percorrido, nunca se aproxime e todos continuem presos às suas obrigações de pilhas.
    E a primeira coisa que a força poderosa de Behemoth criou e que o Leviatã tratou de aprimorar em sua engenhosidade, foi a socialização e a troca, que sempre existiram. A humanidade se diz solidária e preocupada como bem estar um dos outros. Mas a maioria só faz alguma coisa se estiver ganhando algo em troca. Podemos ver este comércio em tudo. Desde a criança que cessa seu choro quando a mãe lhe dá o peito, ao casal que constituiu família.
    Apesar de hoje esta família estar deixando de existir por causa de fatores criados por novas idéias e produtos que infestaram a indústria e este comércio inicial.
    A humanidade viu na troca uma forma de gerar dois tipos de pensamentos. O primeiro foi acumular riquezas e tirar proveito desta abundância. Quem tem em suas mãos a Cornucópia jamais quer compartilhar seu poder. As riquezas geralmente são acumuladas e aquele que mais tem, mais quer para si, se transformando no insaciável rei Midas, transformando tudo em ouro.
O segundo pensamento foi o poder que se pode exercer. Não só com as riquezas, mas com o ímpeto de vencer, de comandar o mundo. Foi esta ânsia devoradora que fez a humanidade criar a ideia de Comércio.
    Desde os primórdios dias, o Homem quis produzir bens. Havia no seu íntimo a vontade de ter bens, acumular riquezas e criar uma vida mais confortável. Foi justamente isto que o impulsionou a procurar formas de realizar este bem. Primeiramente a si próprio, e depois, distribuir aos demais e gerar mais riquezas.
      No início, o Homem acumulava coisas necessárias à sua sobrevivência, tais como frutas, suas caças, ferramentas e utensílios domésticos. Com o passar dos tempos, descobriu que tinha coisas que seu vizinho não tinha, e este por sua vez, tinha coisas que ele não tinha. Houve então uma troca mútua, originando o Comércio, que é a raiz de todo o desenvolvimento humano.

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Não existiriam as grandes civilizações, as invenções, e, talvez, a subida do Homem à Lua, se não houvesse o intercâmbio comercial do ser humano. Foi através do comércio que se iniciou a sociabilidade, onde as relações comerciais desenvolveram a mentalidade humana, levando-a para um novo patamar de consciência. Onde se queria muito mais, e por isso, necessitou se desenvolver. Este é o caminho da evolução, os apetrechos da grande guerra de Behemoth contra Leviatã, para fazer o Homem tomar parte da revolução cósmica.
      O comércio surgiu como um sistema equilibrado, onde haveria certa política amigável entre uma família e outra. Estas se juntaram em tribos, descobrindo que juntas podiam ter mais bens e esses poderiam ser distribuídos. Assim como o trabalho, que poderia ser distribuído entre os integrantes da tribo.
      Então, começou o declínio. Este comércio criou líderes, e com eles, a Inveja.

 


domingo, 15 de janeiro de 2017

CAPÍTULO II - QLIPHOTH OU LIMBO

                                           CAPÍTULO II







                                O QLIPHOTH OU LIMBO







                           “Por mim se vai à cidade dolente,

                             Por mim se vai à eterna dor,

                            Por mim se vai à perdida gente.



                           Justiça moveu meu alto criador,

                           Que me fez com o divino poder,

                          O saber supremo e o primeiro amor.



                          Antes de mim coisa alguma foi criada,

                         Exceto as coisas eternas, e eternamente eu existo,

                        Deixai toda esperança, vós que entrais!”



                           (A Divina Comédia – Canto III – Inferno)





    Assim começa a viagem ao Abismo, às camadas do Qliphoth, o Limbo do subconsciente humano. Também, é o lugar que guardamos nossos piores pensamentos. Aquilo que escondemos dos outros, mas que a voz da consciência nos diz e mostra, desde o dia que os primeiros humanos se esconderam atrás das folhagens do Paraíso.
   Dante Alighieri inicia seu Canto III do Inferno falando sobre o tempo e o que os antigos hindus chamavam de Karma. O Karma é o tempo e a forma com que usamos seu movimento. Nosso tempo é regido pelos pensamentos que alimentamos e damos vida. Quando nos envergonhamos dos pensamentos, ele se torna uma casca, uma crosta que nos acompanha pelo nosso caminho tortuoso. Cada decisão que temos se divide em dois caminhos.
    Esta é a pior maldição da humanidade, este conhecimento do bem e do mal. Saber que podemos criar nosso futuro e dar movimento para tudo que já é passado. O ditado, “Seu passado te condena”, é uma realidade, porque todos nós, no fundo da consciência, sabemos a verdade sobre o que somos.
    E continua Dante, falando sobre o Limbo. É o lugar onde o castigo é a perda da razão. Na realidade, as pessoas foram tão incorporadas na grande mente, na mega mente criada artificialmente e alimentada pelo coletivo, que perderam a noção de quem realmente são. Do que realmente pensam, do errado e do certo. O Limbo é o que alimenta o Leviatã e vice-versa. Ele alimenta os que estão dispostos a “vender sua alma ao diabo”. Vender a alma é seguir a grande onda mental que diz como agir, como pensar, como se tornar mais um autômato cidadão do Estado. Aliás, o Estado não vive sem ser alimentado pelas pobres pessoas que acreditam nas boas intenções daqueles que movimentam o mundo. 

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    Este Limbo é descrito como um local penoso, com suspiros, choros de complemento e altos gritos desesperados em todos os idiomas. Pessoas que continuam dormindo em suas nações, em suas bandeiras, seus cercados. Feitas manadas de animais esperando o abate. Mas os tentáculos do Estado conseguem com persuasão, com a linguagem da magia e as formas de manipulação, deixar a humanidade anestesiada, encharcada pela hipnose coletiva, tal como no filme Matrix. Onde somos apenas pilhas que movimentam a grande máquina construída por nós.
    Muitos temem que os computadores possam um dia se rebelar contra nós, mas não percebem que já nos deram um monte de bugigangas para se entreter enquanto tudo vai passando por trás de um véu terrível, um segredo que nem mesmo a Esfinge pode revelar sem as devidas consequências. 

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    O Orco é aqui e agora. Já existem mortos demais sobre a terra achando que está vivendo. Que vê tudo passar diante dos seus olhos mas não consegue enxergar seus passos. Ouvem todos os dias rumores de mudanças, mas não escutam o que realmente acontece diante da sua vida fatídica e ilusória. Vão por ela, se achando um alguém, querendo Status, querendo posições na sociedade. Mas as posições estão sempre sofrendo oscilações. A grande Roda da Fortuna cruel faz com que as riquezas mudem de dono e que passem, com o tempo, de um lugar para outro. Mas será que para todos nós, esta roda funciona do mesmo jeito?

Elder  Prior