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segunda-feira, 30 de novembro de 2009



COSMAS INDICOPLEUSTES

Houve um tempo que a Terra era quadrada,
E o céu era a tampa de um grande baú,
Antigas lendas de uma mente iluminada,
Esperando notícias das expedições do sul.

Houve um tempo que havia no mar uma grande serpente,
Ouroboros atravessando os mares de Hy Braesel,
No além mar o paraíso de um santo vidente,
Atlântida perdida nos mares do Brasil.

No mapa quadrado, de acordo com a crença imposta,
Uma topografia cristã, como o monge dizia,
Como um prato de sopa seria a crosta,
Com enfeites bordados para os deleites da heresia.

Longe dali havia um paraíso no Oriente,
Mas o Oriente contínuo vira Ocidente,
E o que era paraíso vira inferno,
O que era temporário se tornou eterno.

Em seu mundo redondo a humanidade continua,
Buscando suas raízes sem encontrar a verdade,
Mesmo que esta esteja se tornando sua,
O homem procura primeiro saciar sua vaidade.






Cosmas Indicopleustes era um ex-mercador que trocou o comércio pelo hábito, escreveu no ano de 547 o livro chamado "Topografia Cristã" no qual expunha sua visão geográfica do mundo baseada em interpretações literais da Bíblia. Cosmas imaginava a Terra como um grande baú, sendo o firmamento a "tampa" deste baú, e ridicularizava a crença pagã numa Terra redonda com os velhos argumentos de pessoas de ponta cabeça, chuva caindo para cima, etc.