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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

FOHAT



FOHAT

Na imensidão de tudo que está no olhar,
A chama da vida está a te vigiar,
A luz que faz vivente a profunda escuridão,
O poder elétrico que penetra em seu coração.

Nada que existe está sem vida e movimento,
Tudo tem seu tempo, um ciclo de desenvolvimento,
A morte não jaz em parte alguma do Universo,
É apenas a sensação de um pensamento reverso.

Nada foge do seu olhar cheio de luz,
Nem mesmo aquele que a treva conduz,
Nem mesmo aquele que pensa estar moribundo,
Dentro de suas ilusões, perdido em seu mundo.

Abre-se a porta e a corrente de energia clareia,
Existem muitas pessoas deixando suas marcas na areia,
Só não enxergam os que não querem ver,
E sentir a verdade que não pode esquecer.


Biosofia
Para uma nova compreensão da Vida, do Universo e do Homem

Fohat
Fohat é uma palavra tibetana que designa um dos conceitos mais importantes da Cosmogénese Esotérica. Tem o seu correlato no Eros da Mitologia Esotérica, no Apãm-Napât (”Filho das Águas”) dos Vedas e do Ahura-Mazda, no Daiviprakriti das Escolas Filosóficas Hindus, particularmente da Samkhya, e em Toom e Khepera do antigo Egipto.
“Fohat é uma coisa no Universo ainda não-manifestado e outra coisa no mundo fenomenal e cósmico” 1.

No Imanifestado
No Imanifestado, ou seja, antes da formação de Cosmos objectivos, Fohat é latente e coeterno com Parabrahman e Mulaprakriti. Parabrahman (Para: além de; Brahman: o Ser Cósmico) é a Consciência Absoluta (ou a Inconsciência Absoluta de qualquer coisa em particular). Mulaprakriti (Mula: raiz; Prakriti: natureza, substância) é a raiz pré-cósmica da substância universal, a natureza caótica antes da organização do Cosmos. Movimento Absoluto, Força Absoluta de União (entre) Consciência e Substância, Fohat mantém absolutamente unidos Parabrahman e o seu véu Mulaprakriti. Movimento Absoluto no (Não-)Ser Absoluto, une sem unir (pois nada existe separado), tal como se move sem se mover. Mas, sendo Fohat o “incessante poder destruidor e formador” 2, que simultaneamente une e separa, liga ou des-liga; sendo Fohat o desejo criador (que no domínio cósmico é Kama-Eros) que impele para a manifestação, do seio do Todo Ilimitado (em si mesmo, Imanifestado), ciclicamente 3 ele aparta os protótipos do Pai e da Mãe, do Pensamento e da Matéria, da Subjectividade e da Objectividade (Intra)Cósmicas, Parabrahman e Mulaprakriti - que, como tais, são (simultaneamente) Pai-Mãe 4, Pensamento-resultado do Pensamento, Sujeito-Objecto.

No Manifestado
Então Fohat torna-se o Raio Divino de inesgotável potência criadora que incute o Pensamento Divino Absoluto (ParaBrahman) no seio da proto-Mãe (Mulaprakriti). Ele volve-se de Filho em Esposo (processo que encontramos nas mais diversas Mitologias). O processo que dará lugar à construção do Cosmos, iniciou-se, com o despertar do até então latente Primeiro Logos. “A princípio, dormindo no seio de Mulaprakriti é então seu Filho. Assim que desperta, torna-se seu Esposo e o "Pai-Oculto", jorrando a energia universal chamada Shekinah na Cabala e Daiviprakriti no Bhagavad Gita” 5. O Primeiro Logos serve somente como um centro transmissor de força, a Luz do Logos, cuja fonte é Parabrahman. E este último, “tendo aparecido por um lado como o Ego [sujeito activo consciente] e por outro como Mulaprakriti, actua como a energia una através do Logos” 5. Esta energia, a Luz do Logos (ou Verbo de Parabrahman) é Fohat-Daiviprakriti.