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sábado, 28 de abril de 2012

KAFKA




KAFKA

Abrindo a gaveta de velhos retalhos da juventude,
Encontrei folhas esparsas que ao tempo alude,
Livros que um dia li e reli pra tentar entender,
Ideias sobre o que eu deveria conceber,
E no meio de tantos, encontrei Kafka e “A Metamorfose”,


Com seu estilo diferente, beirando à psicose,
Fiquei pensando como seria se acordasse um dia,
Não ser mais meu corpo nessa monotonia,
Saber que sou eu e olhar o que não sou,
Saber que quero ir para onde não vou,
Um corpo estranho a mim mesmo, andando a esmo,
Por um mundo diferente do que conhecia,
Antes da metamorfose da minha alma vazia,
Como se fosse em exoesqueleto impenetrável,
Uma dor interior, um algo insuportável,
Um odor de coisas deterioradas,
De um mundo de mentiras dilaceradas,
Saber que a metamorfose me transformou num inseto,
Preso numa crisálida, sem amor e sem afeto.