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domingo, 30 de dezembro de 2012

ESTAÇÕES


                                 



                                           ESTAÇÕES

    Mudaram as estações, e a humanidade não consegue sintonizar.
    As rádios que tocavam musicas falando de índios,
    hoje abrem sintonia para a verborragia religiosa.


    O trem passa pelas estações carregando pessoas inertes, 
    que se congelam entre uma estação e outra.
    Parados, imobilizados pela obrigação da rotina.


    Uma pedra no sapato, ou uma pedra que derrubou o gigante, 
    é a mesma pedra que foi colocada em cima do assunto.
    Mas ainda falam de ecologia, e ainda falam de desmatamento,
    falam de poluição. 
    Sonora? Visual? Dos rios, ares e mares?

    As estações passam e a humanidade envelhece,
    se esquece das coisas que já passaram, por onde o trem já passou.
    Pela Lua que o homem pisou, a quantidade de gente que matou.


    Por amor, por Deus, pelo País. Qual será a nova sintonia?
    O radio não toca música, mas gera suas vítimas.
    Estamos livres das gerações atômicas?
    Seremos escravos da idiotice?
    De palavras jogadas ao vento?

    A arte perdeu seu lugar para o que se diz cultura.
    Nossa vida passa feito uma prostituta.
    Responderemos processos pelos próximos preconceitos?
    Haverá uma nova inquisição?
    A liberdade de pensamento só é liberta quando somos escravos, 
    não podemos passar o limite daquilo que está imposto, 
    e se paga o imposto de se viver fora da sintonia.

    Quem sabe com a mudança das estações.
    Quem sabe o trem para em um novo lugar.
    Onde ar, água, terra e fogo vivam em harmonia.
    E a música da banda não seja coisa do diabo,
    E que o diabo esteja ocupado em buscar sua própria sintonia!
    Graças a Deus!!!!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

TRITHEMIUS





TRITHEMIUS

(Homenagem ao Abade Johannes Trithemius)

Tudo em tríplice dimensão,
Mente, corpo, coração,
Pai, Filho, Espírito Santo,
Ou a mãe, seus véus velados, seu manto.

Trindade em diversas línguas, na religião,
Theos, Logos e Psiquê, como diz Platão,
As Leis, a Terra e o Paraíso,
De dois lados da Balança, o meio é o Juízo.

Três coisas para acalmar,
Paisagens, doces aromas, e uma melodia pra cantar,
Três segredos não revelados,
Da Vida, da Ressurreição e do Tempo ilimitado,
Três palavras que resumem tudo,
Eu Amo Você, deixa qualquer um mudo.

Com três notas se forma um acorde,
Com três cabeças Cérbero morde,
Três são as Górgonas do inferno,
Virando pedra num fogo eterno.

Mas entre o bem e o mal, está o meio,
Onde Deus vive e guarda tudo em seu seio.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

DUPLICIDADE





DUPLICIDADE

Aquilo que vai mas depois volta,
Lá fora apazígua, aqui dentro revolta,
O vinho tinto e o sangue pulsante,
A ignorância dentro da cabeça pensante,
Água e fogo, bem e mal, homem e mulher,
Amor e ódio, sedução e paixão, o malmequer,
Yin e yang, religião e inquisição, areia e vento,
Aberto ao mundo mas fechado por dentro.

E vai em seu movimento a duplicidade,
Criando no que existe a desigualdade,
Que de tão rebelde criada,
Acaba na igualdade tatuada,
Os duplos se unem em um sexo sagrado,
Onde o fio da navalha não fica em nenhum lado,
E tudo se cria na duplicidade do mundo,
Orgasmos do Universo tornando-se fecundo.

E somos uma chispa deste mundo sexual,
Uma gota de sêmen na taça do Graal,
Somos o que somos, fazendo parte da vida,
Mais uma duplicidade, dúvida inserida,
Um livre arbítrio para ser ou não ser,
Onde iremos com nosso duplo poder?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

UM


UM


Um único absoluto, de onde surge o ponto inicial,
Um caminho, uma rota, uma reta, um sinal,
Um desejo, um erro, uma morte, um mal,
Um homem, uma mulher, um pecado virginal.

E surge a pergunta para uma resposta,
Surge a idéia na mesa posta,

Um Deus, um Salvador, um para “pegar pra Cristo”,
Um espírito, uma alma, um algo pra sentir que existo.

Uma palavra, um poder, um momento no tempo,
Um passado, um futuro, e o presente eu represento,
Uma vida, uma morte. Qual será a minha sorte?
Um que vai, outro que vem, é preciso ser forte.

Um amor, uma flor, uma outra idéia,
Uma mente, uma ilusão, uma formiga na colmeia,
Um ato, um gesto, um tom, um momento em mim,
Um começo, um instante, um fim.


domingo, 2 de dezembro de 2012

A ILUSÃO


A ILUSÃO

    Será que o mundo que vemos é o que realmente existe?
    Os indianos desde épocas remotas do nosso tempo já falavam sobre Maya, a Ilusão.
    Nos tempos de novelas globais a bem torneada pelos deuses, a bela Juliana Paes incorpora justamente a Ilusão. Aí vem outra pergunta: será que ela é tudo o que parece ou é também um produto de maquiagens carregadas, que disfarçam possíveis defeitos, ou ainda, produto do novo auxílio das beldades chamado Photoshop?
    Quantas mulheres no dia a dia passam despercebidas e que muitas vezes são mais belas e mais perfeitas mas não fazem parte do mundo da Ilusão.
    Um outro fato interessante é saber que a Lua também é um símbolo desta vida ilusória em que a humanidade vive. A Lua entre os gregos tinha o nome de Selene. Um dos materiais usados para a confecção dos tubos televisivos era o Selenium. Pode ser uma simples coincidência, mas é de se pensar. O tubo, hoje em dia tornou-se uma grande prisão, preenchendo as horas vagas de todas as famílias. E é um vício universal, onde a imagem que se vê está se tornando cada vez mais ilusória e artificial. Não se sabe se as notícias são verdadeiras ou são notícias criadas pelos impérios comerciais, que lucram rios de dinheiro com uma simples notícia fantástica. O exemplo mais novo é a morte do cantor Michael Jackson, que a mídia diz que não sabe se morreu ou não, ou se foi enterrado ou não. E aproveitam da morte de um ídolo da ilusão para faturarem com CDs, livros, revistas, notícias na TV e nos Jornais. Já imaginaram quanto não lucraram os meios de comunicação, as gravadoras, editoras e afins?  Existem até os mais espertinhos que querem leiloar os fios de cabelo do “astro”. Quanta Ilusão!
    Mas o ser humano vive de ilusão e necessita desta especulação, desta idolatria, seja de mortais ou imortais. Porque não consegue se desprender da escravidão que alguns criaram se tornando os sacerdotes do Grande Leviatã. Não o bíblico, mas o de Thomas Hobbes. O grande monstro eleito pelos próprios escravos que se deliciam em servir.
    A ilusão não é toda ruim. Se não fosse esta sede ilusória, não teríamos a internet, onde 90% são puro ilusionismo virtual. Os 10% que sobram, é para os que acreditam que atrás da ilusão existe algo real e que merece uma busca, um download. E quando se encontra acima da razão, do discernimento entre o que existe e o que parece existir, encontramos a verdadeira Sabedoria, que é independente do que foi dito por qualquer ciência ou religião.
    Podemos então enxergar além da ilusão e da escravidão dos sentidos e verificar que a humanidade parece que não consegue sair da animalidade e cada vez mais, se torna presa pelo seu mundo artificial, que parece surgir tão belo, mas que esconde um fim desastroso. Um mundo de lobos em suas belas peles de cordeiros. Nenhum dos cães quer largar o osso, mesmo que esteja duro de roer.
    Que venha o futuro! Os lobos de hoje já não estarão mais aqui! Quem herdar o Leviatã criado terá duas opções: ou continua alimentando sua grande fome até que não exista mais como alimenta-lo. Ou crie uma nova humanidade que tenha em mente que deve sacrificar o Dragão, qual São Jorge. E a única forma de sacrificar o Dragão é lutar contra o seu mundo de Ilusão.