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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

DUPLICIDADE





DUPLICIDADE

Aquilo que vai mas depois volta,
Lá fora apazígua, aqui dentro revolta,
O vinho tinto e o sangue pulsante,
A ignorância dentro da cabeça pensante,
Água e fogo, bem e mal, homem e mulher,
Amor e ódio, sedução e paixão, o malmequer,
Yin e yang, religião e inquisição, areia e vento,
Aberto ao mundo mas fechado por dentro.

E vai em seu movimento a duplicidade,
Criando no que existe a desigualdade,
Que de tão rebelde criada,
Acaba na igualdade tatuada,
Os duplos se unem em um sexo sagrado,
Onde o fio da navalha não fica em nenhum lado,
E tudo se cria na duplicidade do mundo,
Orgasmos do Universo tornando-se fecundo.

E somos uma chispa deste mundo sexual,
Uma gota de sêmen na taça do Graal,
Somos o que somos, fazendo parte da vida,
Mais uma duplicidade, dúvida inserida,
Um livre arbítrio para ser ou não ser,
Onde iremos com nosso duplo poder?