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sábado, 2 de março de 2013

TERRA DE NINGUÉM






TERRA DE NINGUÉM

Já é alvorada, alvoroço no meio da multidão,
Procissões de crianças, homens, mulheres, e velhos na escuridão,
Já é dia, bem cedo, com a bóia quente na mão,
Esperando o caminhão.

O pau de arara rodeia e se aconchega no meio do canavial,
É madrugada e o almoço está na mesa,
Que é ao ar livre, uma nova canção.

O ar escorre e a vontade de viver,
A comida tá fria, e esfria os ânimos,
É preciso continuar, até um dia.

Então o dia chega, e o filho não esta mais ali,
Foi pra cidade grande tentar a sorte,
Não se tem pai e a vida é forte.

Já é hora de recolher, escuridão no meio das vilas,
O sono vem como uma bigorna,
É noite, onde todos descansam pra novo dia,
É noite, logo tem mais um pra trabalhar.

TRAGÉDIA TROPICÁLIS






TRAGÉDIA TROPICÁLIS

Morros uivantes em desabafo no horizonte,
Pedras que rolam na chuva deslizante,
Pessoas ricas e pobres, vivas e mortas,
Abre-se as feridas nas janelas, abrem-se as portas,
O sangue é lavado pela enxurrada enlameada,
Não existe nem rua, nem casa, nem calçada,
Mas os alucinados cantam a dança da chuva,
As águas passam e carregam, mais uma viúva.



E não se preocupam assistindo pela TV,
Logo depois tem novela e mais um BBB,
Está tão longe e não tem nem um parente,
Sempre encontrarão mais um sobrevivente.



A vida continua, alegria de uns e para outros a tristeza,
Alguns sofrem para que outros vivam a realeza,
E falam mentiras, é um problema de causa natural,
Os políticos não assumem que trabalham mal,
E ninguém exige indenização pelos danos causados,
Pelo prejuízo de um planejamento mal estruturado,
E se paga impostos, que são imposição,
Pra não se ter direito de ser cidadão,
Mas todo mundo esquece quando a Copa chegar,
Já nem lembrarão quando a Olimpíada terminar,
A Tragédia Tropicália será para poucos chorar.