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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

APENAS UM PARDAL

  

                                  Foto minha autoria

Minha casa tem algumas árvores plantadas. Coisas dos meus avós e dos meus pais, já que eu não tenho o mínimo conhecimento em plantio de qualquer coisa. Aprecio as plantas, mas não sei plantar.
  Aqui tem uma mangueiras, uma jabuticabeira, uma goiabeira e outras árvores frutíferas. Existem outras árvores que desconheço o nome, e, algumas que conheço, como a primavera e as cornetas ou trombetas, que acho lindas.



    Estava eu numa manhã olhando um enorme ninho entre os galhos de uma das árvores, quando vi, quase sem querer, aos meus pés, um pardal morto. Achei estranho. Então peguei o bichinho do chão e vi, na realidade, ele fora assassinado. Algum vizinho, com seu poder de tirar vidas, decidiu acabar com sua vítima. 



    De início, me enfureci. Quem teria feito tal coisa? Mas então, comecei pensar na situação e fiz um exame de consciência. Quando era moleque eu também caçava pardais e pombas. Pensei nos animais protegidos por lei e os outros que não são.




    Alguns animais viraram produtos. Comercializados em grande escala por todo mundo, para virarem pratos maravilhosos. Multinacionais que vivem da morte e do uso de milhares destes animais por dia.




    Lembrei-me de um tempo em que fui vegetariano, acreditando adiantar alguma coisa. Porém, com o tempo, percebi que a mesma coisa acontece com os vegetais, que viram produtos "enriquecidos" com as manipulações transgênicas e os diversos adubos e venenos que são colocados na terra. Sem contar que, como acontece com as grandes criações de gado. Derrubam florestas, fazem grandes plantações daquele produto que mais se exporta, sobrando apenas os restos, que não geram capital, à população. Sinceramente, vejo com tristeza as grandes plantações de cana que tomaram o lugar da mata atlântica com a criação do carro a álcool. Com o pretexto de se criar um substituto da gasolina e do diesel, em prol da dita "sustentabilidade".



    Mas o fato é que as atrocidades contra o mundo não se resume aos animais e aos vegetais. Vemos que, na realidade, por causa dos lucros e das ações da bolsa, as grandes empresas não se importam em destruir, e, os bancos financiam esta barbárie. O pior de tudo é que somos obrigados participar de alguma forma desta destruição. Seja usando eletricidade de alguma hidroelétrica que devastou o habitat de milhares de animais, ou, usando materiais minerais, como ferro, alumínio, ouro, cobre, silício e outros. Ou ainda, um simples lápis, com seu grafite e seu corpinho de madeira.



    É triste ver pilhas de automóveis transformados em lixo e sucata. Cemitérios de aviões. E lixo. Muito lixo, que não tem mais onde colocar.



    Volto à realidade. Porque ninguém está preocupado com o que eu penso ou deixo de pensar. Estão ocupados com a forma de ganhar dinheiro. E participar, de alguma maneira, da morte do pardal, que sem saber, estava sendo observado. E fez seu voo final.

Elder Prior
02-09-2013  05: 10 hs