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quinta-feira, 10 de outubro de 2013

MATORISTAS


MATORISTAS






Toda semana, saio para fazer uma leve corrida nas ruas e avenidas ao redor de onde moro. Corro um dia e descanso outro. Faz alguns anos que mantenho uma certa disciplina nesta atitude. Não sou atleta. Nem corro para perder peso ou ganhar alguma competição. Corro por gostar e por apreciar as mudanças nos diversos trajetos que faço. Ora por ruas movimentadas, que passam por mercados, feiras e pelo shopping próximo. Outras vezes, pelos lugares ainda conservados, com árvores, plantas e estradas de terra.
Mas foi numa destas corridas que me aconteceu algo que me pôs a pensar. Estava eu, descendo por uma avenida movimentada. Como sempre, corro pelas calçadas e na contramão, para ver os carros que estão vindo. Assim, posso ficar atento no que estão fazendo e escapar de alguma "barbeiragem". Em mais de vinte anos correndo, nunca fui atropelado. É muito raro uma torção no pé ou estiramento muscular. 
Como ia dizendo. Estava descendo a avenida, quando um rapaz enfiou o carro na calçada, tapando minha frente, sem dar seta ou qualquer anúncio que ia entrar. Tive que bater a mão na porta para não me arrebentar por cima do capô do motor. O indivíduo pôs a cabeça para fora do carro e ainda me disse um monte de desaforos.
Continuei minha corrida, decidindo não dizer nada. Afinal, já vi muitas idiotices e até mortes causadas por discussões nas ruas. Foi o tempo que eu perdia meu tempo.
Mas fui pensando nas leis do Código de Trânsito Brasileiro, onde temos o artigo 29. Em seu segundo parágrafo diz:

"Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres" (talvez porque não saibam o que é incolumidade)



Acredito que muitas pessoas não se conscientizaram ainda o que é ser habilitado para dirigir. Dirigir não é apenas pegar um carro ou moto e sair pelas ruas. A habilitação é o documento que comprova. Diz que você está apto também nas leis de trânsito, em sua regras, sabe o que as placas simbolizam destas leis.
A maioria pensa: "Se eu passar na prova prática tá bom". Tá muito bom. A prova  pode ter sido muito fácil, ou mesmo, difícil. Mas agora você está habilitado. Porém, o que nunca dão atenção é que esta habilitação indica que as pessoas têm o dever de saber também as leis e os deveres como motorista. E que respondem por sua imperícia.
O brasileiro parece que não tem esta responsabilidade e a lei acaba sendo desdenhada. Talvez seja o "bom exemplo" dado pelos governantes e outros lacaios.
Continuei meu caminho, filosofando internamente, quando fui novamente interrompido por um som ensurdecedor vindo de um carro. O indivíduo ouvindo um funk "proibidão" no talo. O grave da batida parecia que estava dentro da minha cabeça. Nem em meus tempos de baterista de banda punk rock eu senti ou ouvi ( não deu para discernir) uma quantidade de decibéis tão grande. Em sua frente, enquanto o sinal não abria, uma loira de farmácia passava batom enquanto falava no celular.
Voltei para minha corrida. Deixando para trás as leis e a educação brasileira, que não começa no berço. Inicia no planalto e vai descendo até o fundo do poço.