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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

FUTURO DE ESPERANÇAS, COLÔNIA PARA SEMPRE







FUTURO DE ESPERANÇAS, COLÔNIA PARA SEMPRE

    Nunca gostei de me sentir pessimista. Pelo contrário. Sempre tentei ser otimista, mesmo quando via que tudo parecia ser o oposto. Quando adolescente, me indignava as histórias ouvidas sobre a ditadura militar, imposição de leis e regras. Via o mundo com um olhar sonhador, se inspirando nas frases utópicas de John Lennon e na rebeldia do bom e velho rock’n roll.
    Ao lado das bandas “barulhentas” (como os vizinhos diziam), que ouvia horas e horas, surgiu a curiosidade de conhecer um pouco mais sobre a vida dos grandes ídolos mortos por causa de drogas ou presos por causa de algum ato rebelde. Na mesma época, surgiram as bandas punks em São Paulo e a satisfação em sentir a mesma coisa que aquele bando de moleques. Foi neste mundo punk que ouvi pela primeira vez a palavra anarquismo.
    Conversando com um primo, que gostava das mesmas coisas. Tive os primeiros contatos com as ideias comunistas. Meu primo tinha um pôster enorme do “Chê” no quarto, comprava charutos, tinha uma vasta literatura sobre o comunismo. “O Capital” de Karl Marx era sua bíblia, tinha também uma coleção de gramática e aprendizado de russo, que guardo até hoje comigo.
    Tornei-me então comunista, de conhecer algumas pessoas ligadas ao então ilegal, partido comunista. O PCBão, como chamávamos.
    Um tempo depois, fui obrigado se alistar e servir ao exército, que para mim, era uma faca de dois gumes. Eu detestava o militarismo, por eu ter ideias de liberdade e de me espelhar no movimento hippie e no movimento punk paulista. Por outro lado, adorava coturnos, fardas e era moda os moleques que curtiam rock, usar gandolas, coturnos e outros objetos, usurpados do exército. Era ilegal, mas quando a policia pegava, dava umas borrachadas com cassetetes ou levavam o material ilegal, mas não me lembro de maus tratos ou alguém ser preso por isso. Ao contrário, era motivo pra contar lendas avantajadas para os amigos.
    Depois da época de exército, onde perderam meu primeiro título de eleitor, que ficou preso, porque não podíamos votar. Não sei até hoje porque não pude votar quando estava no exército (e hoje que posso não o faço).
    O tempo mudou de repente. Os militares saíram do poder. Os partidos ilegais comunistas puderam se legalizar. Para minha decepção, houve uma grande dissidência e uma proliferação de partidos, onde cada um queria um socialismo diferente do outro e do antigo. O PT surgiu na mesma época. Com ideias um pouco radicais no inicio, acabaram aprendendo a malícia política, e depois de uma derrota um tanto estranha, Lula consegue se eleger. Daí, todo mundo sabe no que deu.
    Minha decepção com o comunismo fez com que eu abrisse o olho em relação aos políticos, ou, à política. Comecei então, perceber que a política internacional ditava as regras do jogo. Não havia comunismo ou socialismo, ou, direita e esquerda no país. Havia uma massa partidos pseudo sociais aprovando leis e ideias em plenário e congresso, que beneficiavam a entrada de investimentos estrangeiros em troca de favores e benefícios de alguns poucos.
    Na realidade, esta ideia não é colocada em prática apenas no Brasil. São todos os países que já foram colônias e que continuam alimentando os investimentos de grandes empresas e grandes instituições financeiras. A globalização é uma janela virtual, onde as riquezas são transformadas em papel, em valores de bolsas, em países que detêm o patrimônio empresarial e tecnológico e que vendem este patrimônio aos países pobres e explorados colonialmente, lhes entregando suas riquezas em troca destas mesmas riquezas, já industrializadas. Na prática, a independência das colônias foi uma jogada comercial e industrial. Continuam adquirindo a matéria prima das ex colônias e ainda vendem e implantam suas marcas com o material das colônias, para as colônias.
    Na realidade, como se diz na linguagem do comércio, esta é uma transação ganha-perde. Onde o que perde seus recursos paga para tê-los de volta com toda a tecnologia que foi adicionada, que disseram que era bom, e que os países colônias não têm acesso.
    A dependência das colônias é tão grande que os países que tentaram ou tentam se auto sustentar, afundam como um Titanic desgovernado. A herança colonial é tão grande que existem países, como o Brasil, que nunca deixaram de ser colônia. No caso do Brasil, desde 1500, passou pelo pseudo império, pela proclamação da república, pela mudança de Estados Unidos do Brasil para República Federativa do Brasil, pelas ditaduras de Getúlio Vargas e dos militares, pelos pseudo socialistas, e continua, esperando um futuro promissor. Mas não passa de uma colônia sendo dizimada de todos seus recursos e riquezas.

Continua...