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domingo, 15 de janeiro de 2017

CAPÍTULO II - QLIPHOTH OU LIMBO

                                           CAPÍTULO II







                                O QLIPHOTH OU LIMBO







                           “Por mim se vai à cidade dolente,

                             Por mim se vai à eterna dor,

                            Por mim se vai à perdida gente.



                           Justiça moveu meu alto criador,

                           Que me fez com o divino poder,

                          O saber supremo e o primeiro amor.



                          Antes de mim coisa alguma foi criada,

                         Exceto as coisas eternas, e eternamente eu existo,

                        Deixai toda esperança, vós que entrais!”



                           (A Divina Comédia – Canto III – Inferno)





    Assim começa a viagem ao Abismo, às camadas do Qliphoth, o Limbo do subconsciente humano. Também, é o lugar que guardamos nossos piores pensamentos. Aquilo que escondemos dos outros, mas que a voz da consciência nos diz e mostra, desde o dia que os primeiros humanos se esconderam atrás das folhagens do Paraíso.
   Dante Alighieri inicia seu Canto III do Inferno falando sobre o tempo e o que os antigos hindus chamavam de Karma. O Karma é o tempo e a forma com que usamos seu movimento. Nosso tempo é regido pelos pensamentos que alimentamos e damos vida. Quando nos envergonhamos dos pensamentos, ele se torna uma casca, uma crosta que nos acompanha pelo nosso caminho tortuoso. Cada decisão que temos se divide em dois caminhos.
    Esta é a pior maldição da humanidade, este conhecimento do bem e do mal. Saber que podemos criar nosso futuro e dar movimento para tudo que já é passado. O ditado, “Seu passado te condena”, é uma realidade, porque todos nós, no fundo da consciência, sabemos a verdade sobre o que somos.
    E continua Dante, falando sobre o Limbo. É o lugar onde o castigo é a perda da razão. Na realidade, as pessoas foram tão incorporadas na grande mente, na mega mente criada artificialmente e alimentada pelo coletivo, que perderam a noção de quem realmente são. Do que realmente pensam, do errado e do certo. O Limbo é o que alimenta o Leviatã e vice-versa. Ele alimenta os que estão dispostos a “vender sua alma ao diabo”. Vender a alma é seguir a grande onda mental que diz como agir, como pensar, como se tornar mais um autômato cidadão do Estado. Aliás, o Estado não vive sem ser alimentado pelas pobres pessoas que acreditam nas boas intenções daqueles que movimentam o mundo. 

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    Este Limbo é descrito como um local penoso, com suspiros, choros de complemento e altos gritos desesperados em todos os idiomas. Pessoas que continuam dormindo em suas nações, em suas bandeiras, seus cercados. Feitas manadas de animais esperando o abate. Mas os tentáculos do Estado conseguem com persuasão, com a linguagem da magia e as formas de manipulação, deixar a humanidade anestesiada, encharcada pela hipnose coletiva, tal como no filme Matrix. Onde somos apenas pilhas que movimentam a grande máquina construída por nós.
    Muitos temem que os computadores possam um dia se rebelar contra nós, mas não percebem que já nos deram um monte de bugigangas para se entreter enquanto tudo vai passando por trás de um véu terrível, um segredo que nem mesmo a Esfinge pode revelar sem as devidas consequências. 

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    O Orco é aqui e agora. Já existem mortos demais sobre a terra achando que está vivendo. Que vê tudo passar diante dos seus olhos mas não consegue enxergar seus passos. Ouvem todos os dias rumores de mudanças, mas não escutam o que realmente acontece diante da sua vida fatídica e ilusória. Vão por ela, se achando um alguém, querendo Status, querendo posições na sociedade. Mas as posições estão sempre sofrendo oscilações. A grande Roda da Fortuna cruel faz com que as riquezas mudem de dono e que passem, com o tempo, de um lugar para outro. Mas será que para todos nós, esta roda funciona do mesmo jeito?

Elder  Prior